A VIOLÊNCIA DA FALTA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE

Camilo
Como imaginar uma sociedade cristã, alicerçada sobre valores humanos respeitáveis, expressos através de juramentos e acordos apreciadíssimos, que, ao mesmo tempo, despreza as condições de saúde de sua gente?

Toda sociedade em que os seus membros contribuam com impostos e taxas, com o propósito de nutrir o erário, a fim de que dele provenham serviços destinados ao bem-estar público, merece receber, em contrapartida, os atendimentos esperados, como um inalienável dever do Estado.

A comunidade social precisa receber a devolução do que paga, por meio de atendimentos essenciais como são os da saúde. Quando esses cuidados são negados pelo Estado, que, por seu turno, prossegue cumulando as massas trabalhadoras com onerosas obrigações, isso não passará de deslavado e acintoso desrespeito à dignidade com que toda pessoa deve ser tratada.

Como esperar grandeza no trabalho e boa produção por parte de uma sociedade em precário estado de saúde?

Como querer disposição e alegria de uma comunidade enferma?

Por problema de saúde não se deve entender somente a situação culminante e crucial, quando surge a urgente necessidade de intensivos tratamentos ou cirurgias que não podem ser atendidos. A questão problema da saúde se amplia quando o povo é compelido a utilizar águas maltratadas, contaminadas, vetor de incontáveis moléstias, que se podem converter em epidemias ou pandemias desastrosas.

Como problema de saúde, entende-se, ainda, o descuido com o alimento utilizado pelas populações: a sua má qualidade, a sua exposição a diversos microrganismos nas vias públicas; os esgotos a céu aberto tresandando miasmas, sem que nenhuma providência digna de respeito seja tomada, por quem de direito, a fim de melhorar o nível de vida-saúde das comunidades, principalmente as mais desprotegidas.

A perpétua alegação de falta de recursos financeiros vai-se constituindo em cínica e sórdida bandeira, à medida que são cobrados mais altos impostos e taxas, sem que se preste a mínima conta ao povo, refletindo mau gerenciamento da coisa pública.

Em toda parte, mesmo em países marcados por gritante pobreza de recursos materiais, os poderosos se banqueteiam com seus áulicos em nababescas festas, enquanto habitam construções faraônicas, prenhes de conforto, como se vivessem numa ilha paradisíaca e a sua volta tudo estivesse cor-de-rosa.

Nesses tempos atordoados do mundo, quando falecem tantos valores morais, não é difícil acharem-se governantes e outros administradores, dando vazão ao egoísmo aviltante, atirando-se sobre a coisa pública com avidez, como se estivessem usufruindo dos seus pertences pessoais, considerando as comunidades humanas enfermas, desinformadas, espoliadas, como serviçais atoleimados; e as terras como se fossem seus modernos feudos, olvidados de que todos terão que prestar contas à Consciência Cósmica dos seus atos e desatos, mais hoje, mais amanhã.

Quando se trata das verbas públicas, sua distribuição e seu encaminhamento, enfrentam tanta burocracia, até chegarem ao devido destino, sendo violadas, proteladas, chegando onde deveriam chegar com atrasos inconcebíveis, quase sempre após todas as calamidades que a sua demora propiciou.

Todos os que buscam o entendimento das leis divinas compreendem que, no mundo, quem deve, paga. Porém, os que se tornam braços ou agentes desses resgates, de modo consciente ou inadvertidamente, acabam por contrair graves comprometimentos com a consciência, candidatando-se, por sua vez, aos futuros resgates, proporcionais a sua lucidez e aos motivos que os levaram a delinqüir dessa forma.

A negligência para com a saúde humana mostra-se como processo brutal de violência.

Transcrito do livro "Justiça e Amor", psicografado pelo médium J. Raul Teixeira (RJ) e editado pela Editora Fráter

Fechar

Endereço: Rua Marechal Deodoro, 460, Encruzilhada, Recife/PE - CEP 52030-170