SUA VIDA RELIGIOSA

Joanes
Há muita confusão na Terra com relação ao que se chama de vida religiosa.

De começo, essa confusão se estabelece pela deficiência dos conceitos de religião que as pessoas têm, geralmente.

Pensa-se que a religião seja a vestimenta ideológica com que tanta gente se traveste de virtuosa, com o intuito de exalçar a própria vaidade.

Costumeiramente, pensa-se que a religião seja uma casta composta por pessoas eleitas, para que o Senhor as escolha – e somente elas – para adentrar o Reino dos Céus e manter uma vida de delícias e ociosidade perenes.

Pensa-se em religião como se ela significasse um contexto sócio-econômico no qual quem mais doe aos cofres institucionais ou quem mais detenha recursos materiais, maiores possibilidades apresenta de ser contemplado pelo chamado divino.

Dessa maneira, incontáveis criaturas imaginam que a sua vida religiosa deva resumir-se às listas de petitórios e de lamentações dirigidos ao Criador, envergando a capa de perenes vítimas da sorte.

Não poucos concebem que a sua vida religiosa tenha que se circunscrever às liturgias, por meio de palavras específicas, de instrumentos coloridos, chamativos, plenos de significados psicológicos emocionais, ou, ainda, de louvaminhas tão cansativas quanto ocas, mais aptas a satisfazer as presunções humanas do que para penetrar o íntimo de cada alma.

Para incontáveis pessoas, a vida religiosa estará na capacidade de memorização de textos ou no poder persuasivo que desenvolvem com esforço disciplinador, cujos resultados agradam mais às vaidades comuns do que se fazem úteis, de fato, para o crescimento espiritual.

Vida religiosa nada tem a ver com as atitudes artificiais ou piegas por muitos adotadas. Ela se vai concretizando, em verdade, quando passamos a compreender que a religião verdadeira não passa obrigatoriamente pelas aparências de fora, mas sempre será uma realidade vibrante no íntimo dos seres. Manter contato mais próximo com Deus, com Cristo ou com os Prepostos da Luz Divina, pela capacidade de transformar velhas inclinações perturbadoras em novas posturas de trabalho renovador, por dentro e por fora de nós, isto sim é a base para a realização religiosa.

Como tem sido a sua vida religiosa? Tem você mantido as aparências graciosas da fé, enquanto alimenta azedumes, invejas, mágoas e rapina no coração, ou tem-se esforçado por ser, intimamente, o que Deus espera de você?

A sua vida religiosa precisa ter o aroma das reais virtudes, que crescem aos poucos, mas que não estão ausentes da vivência dos religiosos verdadeiros.

Nas lutas e renúncias de Gandhi, vemos sua vida religiosa ativa, laboriosa e útil.

Nas pelejas e renúncias de Lincoln, achamos sua vida religiosa corajosa, desafiadora e útil.

Nos esforços e renúncias de Madre Teresa, encontramos os sinais inquestionáveis da sua vida religiosa dedicada, transformadora e útil.

Se, na condição de pessoa religiosa, os seus atos não forem enobrecidos e úteis a ninguém, tenha a certeza de que eles são vazios e sem qualquer valor para a vida interior.

Pense e repense acerca da sua vida religiosa. Transforme-se para o bem o quanto possa. Desenvolva-se no amor o quanto puder, porque somente assim a sua atuação na esfera religiosa espalhará a luz do Cristo e o fará realmente feliz.

Transcrito do livro "Para Uso Diário", psicografado pelo médium J. Raul Teixeira (RJ), editado pela Editora Fráter.

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