ESSE TESOURO

Amélia Rodrigues
Acompanhe com o olhar esse pequenino, lodacento e roto, que passa pelo seu caminho.

Siga-o, à distância, e viva com ele as experiências de um dia de descuido e solidão.

Esperança fanada em plena manhã dos sorrisos, atravessa o dia da juventude para tombar, mais tarde, inquieto e cansado, na furna do crime...

Sem ninguém, experimenta, somente, o desdém de uns e o receio de outros. Moleque de rua é, no entanto, abençoada promessa que o tempo destruirá.

Os que o ajudam, oferecem, apenas, a esmola humilhante ou a reprimenda cruel.

Todavia, é tão pequenino!

E poderia ser um homem honrado no futuro!

Talvez fosse seu filho!

Se a morte houvesse batido à sua porta e o arrebatasse, possivelmente a criança, sonho dos seus sonhos, poderia ser conduzida pelas mãos da orfandade à rua da miséria e do abandono...

Você se diz, porém, previdente e cauteloso. Quem pode, entretanto, estar tranqüilo fazendo um legado de títulos e moedas?

Não lhe custaria muito falar a esse pequenino, sorrir para ele e dar-lhe algo do seu carinho. Positivamente, não lhe seria difícil.

De um humilde gesto de seu coração muitas flores nasceriam nesse menino, atapetando-lhe o caminho.

O coração infantil é urna valiosa. Deposite a sua contribuição para o futuro.

A mente infantil é campo virgem. Semeie dignidade, ensinando com a nobreza do seu exemplo.

A criança é um tesouro: a mais valiosa fortuna que o mundo conhece, por ser a única a perpetuar, através do tempo, a dádiva da vida.

Você fala sobre caráter e se esquece desses meninos...

Você estabelece diretrizes educacionais e não equaciona os problemas desses pequeninos...

Você respeita na instrução a grandeza do século, mas não oferece a esses sorrisos a se apagarem no rosto infantil a oportunidade de brilharem sempre...

Você se alegra com uma fé religiosa e abandona esses rebentos da vida que seguem ao seu lado.

Lembre-se da infância em todos os dias da vida. Desses “pedacinho de gente” que marcham para a morte moral e daqueles que enfeitam as ambições dos seus planos surgirá o mundo de amanhã. Eles dependem de você. Cidadãos ou bandidos do futuro, aguardam hoje pelo seu socorro.

Eduque – e traçará linhas de caráter.

Reeduque – e estará retificando, com muita probabilidade de êxito, os deveres ontem negligenciados. Instrua – e propicie recursos de ver.

Se os amar, porém, você fará algo mais: evangelizá-los-á.

Evangelizar é redimir.

Evangelizar uma criança é como honrar o mundo com a grandeza de deveres maiores, adornando o futuro de gemas valiosas.

Quando você ensina, transmite.

Quando você educa, disciplina.

Mas quando você evangeliza, salva.

Instruído, o homem conhece; educado, vence; evangelizado, serve sem cansaço, redimindo-se.

Não se detenha!

* * * *

Fitando esse pequenino que passa sem rumo, demandando o país do desespero, recorde que muitos corações, em nome de um outro Menino, estão trabalhando pela Humanidade, evangelizando, no presente, aqueles que dirigirão o porvir.

Pare e medite a respeito desse tesouro que é a alma engastada no corpo desse menino. Não lhe permita a perda do ensejo.

Aplique o seu capital de amor num menino e você seguirá, com ele, e através dele enriquecendo os séculos do porvir.

Transcrito do livro "Sementeira da Fraternidade", autoria de diversos Espíritos, psicografado pelo médium Divaldo Franco (BA)

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