QUEM ÉS, QUE JULGAS AO PRÓXIMO?

Severino Barbosa
A maledicência é uma das maiores imperfeições humanas. É uma chaga espiritual. Aqueles que a possuem não vivem em paz. Estão sempre reparando as falhas alheias, como se fossem isentos de defeitos.

Com a intenção de ajudar aos companheiros portadores desse mal, o venerável apóstolo Tiago, em sua epístola (Cap. 4:12), aconselhou-nos: “irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão, ou julga a seu irmão, fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas Juiz”. Foi mais além: ”um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas ao próximo?”.

Sim. Quem somos nós para julgar severamente o nosso semelhante? Será que não condenamos nos outros as falhas que mancham à nossa alma? Será que os defeitos que enfeiam o nosso espírito não são mais graves do que os do nosso próximo? Alguma vez, algum instante, já paramos para meditar sobre que espécie de pessoa somos?...

Todos nós, falíveis como somos, temos necessidade de nos auto-avaliar com freqüência. De nossa parte, deveria existir mais prudência ao emitirmos opiniões acerca da conduta dos outros. E os outros, são aquele ou aquela, que tiveram os seus motivos pessoais para procederem desse ou daquele modo. E como as pessoas são conduzidas por razões “que a própria razão desconhece”, somente Deus pode fazer um julgamento imparcial.

Não condenemos!

Aquele que, em relação ao comportamento do outro, dar um parecer leviano, talvez não saiba que a sua leviandade poderá causar problemas mais sérios que o próprio erro.

Não queremos dizer que os erros não devem ser vistos. Devem, sim. Há casos, no entanto, em que implica uma necessidade. Certamente, as pessoas que administram e que carregam sobre os ombros o peso da responsabilidade, devem exigir dos seus auxiliares o cumprimento do dever.

As pessoas habituadas à maledicência, desprovidas do menor princípio de sensatez, tornam-se caçadoras maníacas das falhas alheias. Elas têm a mente enferma, que as capacita a ver e observar as coisas que julgam erradas. E como só enxergam o negativo, repassam do mesmo modo, sem o mínimo de preocupação com o lado positivo das pessoas. Julgam conforme se julgam. Se são desonestas, acham que não existem os honestos; se são interesseiras, julgam que não há desinteressados; se são orgulhosas, não admitem que existem os humildes; se são más, negam-se a aceitar a existência dos bons.

O juízo precipitado dos maledicentes não deve nos inquietar, de modo algum, visto que a nossa consciência não depende do julgamento de terceiros. Avaliemos a nós mesmos, retifiquemos os nossos erros e continuemos a nossa marcha, sem esmorecimento.

Temos condições de julgar alguém?

Transcrito do livro "Pelos Caminhos do Evangelho", editado pela Associação Espírita Adolfo Bezerra de Menezes, de Limoeiro – PE

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