SERÁ UM CASO DE REENCARNAÇÃO?

Paulo R. Santos
São inúmeras as pesquisas já realizadas em torno desse assunto e apesar delas a reencarnação continua como um mistério para muita gente. Na maioria das vezes por pura falta de informação ou confusão de palavras. Por exemplo, se confunde reencarnação com metempsicose.

A primeira refere-se ao fato de se retornar à Terra retomando um corpo de carne, constituído desde a concepção segundo as necessidades de um Espírito. Não existe isso de uma inteligência extrafísica tomar um corpo adulto por moradia, desalojando seu ocupante original. Cada Espírito constitui para si um corpo novo, que passa, em geral, nove meses no útero materno já em fase de adaptação às novas condições de vida no mundo material.

No segundo caso - a metempsicose - trata-se de uma crença muito antiga e difundida entre várias civilizações do passado, e que apresenta a possibilidade de um ser voltar à vida na Terra no corpo de um animal qualquer. Não é preciso refletir muito para se entender que esse foi um recurso utilizado para moralizar as pessoas através da "pedagogia do medo", sob as ameaças de regredir na escala da evolução com todas a limitações que isso comportaria. Na cultura judáico-cristã, a figura do diabo cumpre papel semelhante.

Mas, voltando à questão inicial, tivemos oportunidade de assistir pela tv, há tempos, um documentário sobre a vida de Anita Garibaldi, esposa de Giuseppe Garibaldi, que lutou no Brasil e na Itália em conflitos do século XIX. Nesse documentário, um homem já bastante idoso comentava a vida de Anita com detalhes e um interesse incomuns, considerando-se que não havia laços materiais que os ligassem da perspectiva do homem encarnado.

Esse velho senhor falava, com a voz muitas vezes embargada, sobre detalhes da heroína da Guerra dos Farrapos como de alguém conhecido. Ele fizera pesquisas durante cerca de quarenta anos sobre sua vida e atuação no Brasil e na Itália. Tinha um acervo variado e precioso sobre o casal Garibaldi, mas, principalmente, sobre Anita. Algo em sua voz traia uma forte emoção ao tratar do assunto. Foram muitas as perguntas feitas pelo repórter seguindo essa linha pouco usual da emoção na pesquisa documental-biográfica.

Algumas décadas separam a morte de Garibaldi, na Itália, e do nascimento desse arquiteto suíço que viria para o Brasil envolver-se com a história nacional de um modo inusitado, tal seu grau de interesse. De onde viria essa fixação por um personagem desconectado da história de seu país de origem? Qual seria sua motivação para perseguir, de forma tão obstinada, as minúcias da vida de uma mulher semi-alfabetizada e guerreira?

A formação profissional de arquiteto não apresenta grandes ligações com a pesquisa histórica, exceto no que trata de estilos arquitetônicos, e ainda assim esse homem fez viagens a vários países em busca dessas respostas, movido por impulsos interiores que certamente a psicologia tentaria explicar como sendo a manifestação de alguma patologia mental.

Entretanto, se admitirmos a reencarnação como um fato, as coisas saem do campo das patologias e entram em aspectos ainda um tanto obscuros da vida humana, é verdade, mas nem por isso inadmissíveis. Aliás, por que tanta gente reluta em admitir a reencarnação? Não seria apenas porque não somos educados desde o berço para vê-la como algo tão natural como tantas outras coisas na vida?

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