VIOLÊNCIA E OBSESSÃO ESPIRITUAL

Wilson Czerski
Em Espiritismo denominamos obsessão ao assédio mental pertinaz exercido por individualidades desencarnadas sobre um encarnado, objetivando causar-lhe males de ordem física, emocional e espiritual. Esta definição clássica comporta variantes importantes como as da possibilidade de o processo ocorrer no sentido inverso, de encarnado para desencarnado, entre dois desencarnados ou dois encarnados e ainda a auto-obsessão, próxima da catalogada pela psiquiatria, incluindo as compulsões, manias, fixações diversas e idéias de autodestruição.

De encarnado sobre desencarnado pode ocorrer quando há constante evocação, mesmo inconsciente, do "morto" através de lembranças e saudade exagerada. O que permanece vivo atrai magneticamente aquele que já deveria ter-se libertado. Prejuízo ao primeiro pelo sofrimento causado pela falta de resignação, angústia, revolta; ao segundo, por ser enredado ao passado, embora preservadas as experiências, aquisições de valores morais e intelectuais.

Às vezes, a ligação é de outra natureza, por situações mal resolvidas enquanto ambos estavam juntos. A morte não dissolve as personalidades, sentimentos, idéias e projetos que continuam presentes na atmosfera mental dos que se mantêm vinculados. Ambos os fluxos de pensamentos estão conectados em pernicioso intercâmbio com influência recíproca e que mais se fortalece com o tempo.

Entre dois desencarnados há obsessão quando um espírito verdugo submete outro mais fraco e coloca-o a seus préstimos para atingir objetivos escusos. Entidades deste quilate constituem falanges bem estruturadas do ponto de vista de organização, hierarquia, planejamento e execução de planos que disseminam ódio e discórdia entre os homens e suas instituições. Finalmente, ocorre obsessão entre duas pessoas encarnadas quando envolve fortes relações de amor e ódio. Paixão exacerbada, ciúme mórbido, inveja, desejo de vingança são algumas das motivações imediatas que estabelecem autêntica tirania mental, afetiva e física.

Na questão 459 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga aos Espíritos Superiores se os habitantes da outra dimensão influem sobre os pensamentos e ações dos encarnados. E a resposta surpreende: "... a sua influência é maior do que supondes, porque muito freqüentemente, são eles que vos dirigem".

A partir disso, convidamos o leitor a refletir sobre certos acontecimentos recentes que ganharam largo espaço na mídia. Entre eles o do pediatra preso sob acusação de pedofilia; o do médico, Farah Jorge Farah que matou e esquartejou a amante pela qual se dizia perseguido; a jovem que com ajuda do namorado e do irmão deste, matou os pais; o casal que jogou um bebê contra um automóvel; o ex-aluno que entrou atirando na escola.

Em todos eles, em face de uma análise menos superficial das razões que culminaram com os trágicos desfechos, é lícito considerar sobre a presença de entidades espirituais interessadas em provocá-los, pois segundo vimos, podem até mesmo tomar a direção de nossas vidas sem que tenhamos consciência disso.

Ao contrário dos espíritos elevados que estimulam a prática do bem, mas não interferem diretamente em nosso livre-arbítrio, os da outra classe agem inescrupulosamente, embora mantida a nossa autonomia para ditar a palavra final de rendição ou não à má sugestão. Elegemos pelos pensamentos e ações aqueles que desejamos por companhia em nossa casa mental.

Nos casos em pauta não ignoramos fatores motivadores dos crimes como o uso de drogas, paixões descontroladas, recalques infanto-juvenis, ambição financeira e outros levados à conta de transtornos emocionais e mentais capazes de subtrair temporariamente a capacidade de juízo. Mas as entidades invisíveis podem ter ardilosamente arquitetado o plano inicial. Aproveitam-se de fraquezas de caráter, particularmente no campo do sexo, dinheiro e poder, incentivando a manifestação de predisposições e desejos ocultos nas almas dos criminosos.

Espíritos inferiores procuram estabelecer parcerias com os encarnados de índoles afins para executar seus projetos. A responsabilidade moral recomenda dar nossa parcela de contribuição para a instalação do amor e da paz, neutralizando, se possível, o egoísmo, o ódio e a violência vigentes nas coletividades. Quanto ao aspecto individual, a receita simples contra os processos obsessivos foi sintetizada pelo Cristo: Vigiai e orai.

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