APRENDENDO COM AS CRIANÇAS
Gustavo Filizola

A genialidade de um Steven Spielberg nos brindou com um maravilhoso filme “Hook - a volta do capitão gancho”, isto sem falarmos do excelente desempenho de Robin Williams no papel de Perter Pan.

Apesar de ser um filme destinado ao público infanto-juvenil, ele deveria ser visto por todos aqueles que se encontram na condição de pais ou que trabalham com crianças. Pois é também um filme para adulto ver. Uma de suas mensagens é a importância de não deixarmos que morra a criança que existe dentro de nós. No enredo, um pai precisa despertar sua criança interior para ter de volta seus filhos que foram raptados pelo Capitão Gancho.

Quem pensa que não se pode aprender com as crianças está muito enganado. Elas estão presentes no mundo para nos ensinar. A partir de algumas leituras e reflexões, comentaremos sobre alguns ensinamentos que as crianças demonstram todos os dias:

1) Elas vivem o momento presente:

Quem ainda não observou uma criança brincar? A criança se apega exclusivamente ao momento presente, elas ficam completamente envolvidas n'aquilo que estão a fazer, precisando, às vezes, nós adultos, chamá-las duas ou três vezes, para que nos ouçam, atendendo assim, nosso pedido. O problema é que quando nos tornamos gente grande, apegamo-nos demasiadamente ao passado, e pior, trazemos sentimentos de culpa, por ter feito ou deixado de fazer isto ou aquilo, ou nos projetamos ao futuro numa preocupação excessiva, nos sentindo deprimidos ou ineficazes.

A criança não adia seu prazer de viver. Seja olhando para uma flor, animal, ao fazer um desenho, decide aplicar toda sua atenção no que está fazendo.


2) Elas correm riscos a todo momento:

Como conseqüência de viverem o momento presente, as crianças agem sem medo das conseqüências. Quantos pais já não se defrontaram com situações onde seus filhos se encontravam em verdadeiras aventuras: no tentar subir em uma grande árvore sozinhos, puxando um rabo de um animal bem maior do que eles, ou mesmo colocando uma de suas mãozinhas em locais muito perigosos, numa demonstração que querem conhecer o mundo experimentando as coisas.

Uma criança saudável adora testar e aceitar desafios. Bom exemplo para nós adultos!


3) Elas são espontâneas e verdadeiras:

É muito importante resgatarmos a espontaneidade do tempo de criança.

Ser espontâneo não é algo feio ou errado, é mostrarmos de verdade quem nós realmente somos, sem máscaras ou fingimentos, com possibilidades e limites. Ser autêntico não é ficar desrespeitando os outros infringindo as leis sociais do bom convívio.

Ser espontâneo é não termos vergonha d'aquilo que verdadeiramente somos. Rir ou chorar quando sentirmos vontade, falar quando quisermos, calarmos quando achar mais oportuno.

As crianças não são preconceituosas a não ser que já estejam contaminadas pelos maus exemplos dos adultos. Elas são muito receptivas com qualquer pessoa, não olha para ninguém com segundas intenções. Quando fazem alguma indagação, são perguntas vindas do coração. Quando não querem responder a algo, mesmo que seja para agradar a alguém, não fazem.

Elas são bastante determinadas. Quando querem alguma coisa, insistem. Quantas vezes não temos que arrumar mil estratégias para fazer uma criança desistir de algo!

As crianças agem de modo natural.


4) Elas são criativas:

Como a imaginação da criança é fértil. Se pararmos para observá-las, independentemente da classe social a que pertençam, veremos que adoram inventar brincadeiras com coisas simples como, especialmente, as que vivem nas comunidades de baixa renda: é a lata de leite cheia de areia amarrada a um fio que se transforma em um veículo, é um pedaço de madeira que vira avião, é uma meia velha que cheia de papel vira uma bola e com uma caixa de papelão, se constrói uma casa. Elas têm muitas idéias e são capazes de criar diversas coisas.

Muitas vezes ouvimos de nossos filhos, sobrinhos ou netos, respostas simples para perguntas ou problemas complicados, nos mostrando saídas rápidas para verdadeiros labirintos. As crianças gostam de ajudar, dão verdadeiros exemplos de solidariedade e amizade. Nas calamidades públicas, muitas iniciativas de ajuda partem delas.

Nunca é tarde para deixarmos a criança que existe dentro de nós renascer. Deixá-la surgir, não é vivermos sem cuidado com os nossos atos. É deixar brotar a pureza, a espontaneidade e a criatividade não sendo contaminados pelas malícias, preconceitos e mazelas que permeiam muitas vezes o pensamento adulto. Saberemos sim, exatamente a hora de deixarmos que ela ressurja, possibilitando vivermos este lado maravilhoso do nosso ser, com todas estas características que lhe são peculiares. Pois, enquanto existirem crianças no mundo, o sol brilhará mais forte, o colorido das flores ficará mais vivo, os pássaros cantarão com mais força, a esperança continuará no mundo e o sorriso nas faces das pessoas nunca terá fim!


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