LEVANTA-TE DIREITO SOBRE OS TEUS PÉS
Severino Barbosa

A visita de Paulo de Tarso e Barnabé à cidade de Icônio, causou grande tumulto. É que a dupla de trabalhadores da palavra, sem temer as conseqüências por parte dos adversários, anunciava o Evangelho para gregos, judeus, gentios e demais interessados. E tantos foram as curas e fenômenos, por meio da mediunidade de ambos, que muita gente se converteu ao Cristianismo.

Após o cumprimento do dever naquela cidade, e não podendo mais permanecerem, devido a fúria dos judeus incrédulos, os servidores do Cristo fugiram para a vizinha cidade de Listra, onde havia um paralítico de nascença. Este, ao ouvir uma pregação de Paulo em praça pública, ficou encantado. Em meio à multidão, o apóstolo fixou-lhe os olhos e disse em voz alta: “apruma-te direito sobre os pés”. (Atos, 14:10).

Segundo a narrativa apostólica, o aleijado passou a andar. Este fato causou singular admiração. Diziam que os apóstolos eram deuses em forma de homens. A exaltação foi tamanha que a Paulo chamavam de Mercúrio, porque conforme a mitologia greco-romana, esse era o deus que concedia o dom da palavra; e a Barnabé chamavam Júpiter.

A multidão, que acompanhava atenta os casos de cura realizados pelos apóstolos, parecia mais preocupada com a recuperação física dos enfermos, do que propriamente com a renovação espiritual. Cuidavam-se mais do corpo do que do espírito. E apesar dos séculos, hoje a mentalidade continua a mesma. Costumamos enxergar os deficientes físicos, que carregam os seus fardos de provas e expiações, liberando-se das dívidas que contraíram no passado, entretanto, fazemos vista curta para os portadores de graves doenças espirituais, os paralíticos das idéias, os aleijados do pensamento, os defeituosos do caráter, os aniquilados de sentimento, os cegos de conhecimento, os carentes de compreensão e os coxos de virtudes.

Paulo e seu discípulo Barnabé, como fiéis intérpretes da doutrina de Jesus, tinham como meta principal de trabalho a cura do Espírito, porque o corpo, mesmo curado de todas as suas enfermidades, depois volta a enfermar e morrer. Mas, o ser pensante, que sobrevive à desencarnação, quando bem curado dos males que o afetam, jamais voltará a contrair novas enfermidades.

Segundo a Filosofia Espírita, todos nós vivemos como pensamos. Pensamos bem, logo temos uma existência sadia. Pensamos mal, a conseqüência natural é uma vida desarranjada. E todo aquele que se deixa vacinar pelo Evangelho, cura-se dos males morais já existentes e, simultaneamente, acautela-se contra os males futuros.

Conclui-se, pois, que a missão do Evangelho, além de bela e extensa, é ativa, dinâmica e profunda, tendo como alvo certo não apenas a figura física do homem, dentro dos limites da sua existência atual, mas sim, o homem espiritual, em toda a sua extensão de eternidade. Mas é preciso que saibamos nos erguer com os nossos próprios pés, aprumando os nossos passos em direção ao bem infinito.


(Transcrito do livro “Pelos Caminhos do Evangelho”, editado pela Associação Espírita Adolfo Bezerra de Menezes, de Limoeiro – PE)

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