UM RECADO PARA BYRON
Carlos Pereira

Surpreendeu a toda a sociedade pernambucana, especialmente a classe política local, o autocídio do ex-deputado estadual e ex-vereador do Recife Byron Sarinho, ocorrido em 12 de novembro de 2002. Byron foi encontrado pela empregada doméstica do seu apartamento na Rua da Aurora, numa cadeira, com uma arma na mão. Pelo que se presume, a idéia de suicídio já estava ganhando espaço na sua mente há cerca de um ano, pois, aos poucos, redigia cartas para diversos amigos deixando mensagens e recados como se estivesse consciente do ato que iria praticar. O tom de humor dos recados guardava, na realidade, o seu medo da velhice. Estabelecera como limite de vida física os 60 anos de idade. Esta foi a sua justificativa oficial para a exclusão da própria existência, como se a ação de dar um tiro na cabeça fosse suficiente para desaparecer suas angústias e medos. Na prática, não é.

A visão materialista de muitas pessoas, neste caso também a de Byron Sarinho, faz imaginar que a morte é o fim de tudo porque não consegue enxergar um palmo além do nariz da própria vida física. O Ser - nós - é muito mais que uma carcaça de carne e ossos. Limitar-se apenas a pensar no horizonte da vida da matéria é muito asfixiante para quem queira ser pleno de possibilidades e diminui as imensas potencialidades de realização humana. Somos seres espirituais imortais, transcendentes à morte física, com a destinação de progresso intelectual e moral constantes, a caminho permanente da perfeição e no alcance da felicidade. A concepção espiritualista de vida não é hoje apenas um argumento filosófico, mas encontra diversos relatos da Ciência quanto à existência de uma outra dimensão consciencial.

Precipitar a morte tendo como apelo o medo da velhice e demonstrar segurança naquilo que estava fazendo, Byron, não é um ato de coragem, mas de desespero e vazio existencial, corroborado, certamente, pela influência perniciosa de entes espirituais desequilibrados que incitam, ainda mais, ao cometimento do autocídio.

Diversos têm sido os relatos do mundo espiritual do estado penoso em que se encontram aqueles que abreviaram a vida física. Normalmente, passam muito tempo em zonas tenebrosas de sofrimento e somente a muito custo são resgatados para um processo de recuperação e regeneração da consciência, apercebendo-se, finalmente, de tudo aquilo que lhe passara e do ato tresloucado que praticou com as suas terríveis conseqüências espirituais. O suicídio que vislumbrava como fuga é encontro inevitável com a dor e o que é pior, mais tarde, terá que se redimir com as leis maiores da ação inconseqüente que cometera. Retorna, noutra vida, invariavelmente, sob as injunções de paralisias cerebrais, em situações de imbecilidade ou idiotia, portadores de Síndrome de Down ou sofrendo de outro mal diretamente na região na qual vitimou o suicídio. Isto ocorre porque o dano provocado no corpo físico reflete-se na matriz espiritual do Ser que necessita de algum tempo para a devida restauração e também porque o espírito, agora reencarnado, necessita aprender o funcionamento da lei universal de causa e efeito e não mais repetir no futuro este ato insano.

Aos que ficam ainda do lado de cá vale muito, muito mesmo, a oração a Deus na rogativa de assistência e tomada de consciência mais imediata daquele que retornou mais cedo indevidamente. A vida, é preciso entender, pertence a Deus, e nos é concedida unicamente para atingirmos os propósitos maiores da criação. Cabe, a nós outros, o empenho para torná-la frutífera e maravilhosa.

Byron, qual não será a sua surpresa quando, em breve, redescobrir que você já tem mais de sessenta; sessenta milhões de anos e que sua vida, em direção à luz, apenas começa.

Que Deus te ilumine, Byron!


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