AS CARTAS DE CHICO XAVIER NO LINHA DIRETA
Programa exibido em 04.11.2004 pela Rede Globo

Maurício Garcez, Henrique Gregoris e Gleide de Deus jamais se viram enquanto vivos. Maurício e Henrique viviam em Goiás quando foram assassinados a tiros. Gleide, no Mato Grosso do Sul. Em comum ainda o fato de, após suas mortes terem, supostamente, feito a Justiça entender que foram vítimas acidentais de seus algozes. José Divino, responsável pela morte de Maurício, e João de Deus, marido de Gleide Maria, foram submetidos a júri popular e os resultados foram a absolvição.

O responsável pelas cartas psicografadas que contribuíram para o veredicto foi o médium mineiro Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, morto em 2002. Os casos em que a Justiça aceitou como reforço de provas cartas supostamente enviadas por aqueles que já morreram até hoje geram polêmica. À época dos processos os casos tiveram repercussão nas principais publicação de todo o mundo. Para alguns especialistas, a inclusão de material religioso em processos judiciais nos remete a um período sombrio da história onde princípios teológicos interferiam diretamente no resultado de ações na Justiça. Entretanto, para os familiares dos mortos que psicografaram não há nenhuma dúvida de que as manifestações partiram de seus parentes. Particulares narradas e que só seriam de conhecimento das vítimas se tornaram o principal ingrediente para a sustentação da sua certeza e, paralelamente, como elemento utilizado nos júris para garantir a defesa e absolvição dos réus. Outro fator que pesou positivamente no entendimento dos jurados foi a respeitabilidade conferida à imagem de Chico Xavier.

Em todos os casos os advogados lembraram os trabalhos sociais e espirituais desenvolvidos pelo médium que congregou, em torno de si e de sua crença, mais de cinco milhões de adeptos em todo o mundo. Não por acaso, após as manifestações psicografadas das vítimas dessa história, seus parentes abraçaram a tese espírita e passaram a desenvolver trabalhos sociais semelhantes ao de Chico Xavier. João de Deus, marido de Gleide, ainda iria mais além: passaria ele mesmo a psicografar cartas supostamente ditada por pessoas mortas. Entre as tantas que afirma ter psicografado estaria também algumas de Gleide, a mulher a quem foi acusado de matar. E nelas ele era inocentado do desejo de matar.

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