APOSENTADO PERDE DINHEIRO NO METRÔ E CONSEGUE RECUPERÁ-LO

Carlos Pereira

TV Globo, Jornal Nacional, dia 26 de fevereiro de 2003.

Eis a matéria na íntegra:

“Um aposentado de 77 anos conseguiu o improvável hoje.

Na estação de metrô por onde transitam dez mil pessoas todos os dias, Mário Narciso foi buscar o dinheiro que tinha perdido. E recebeu de volta os R$ 708. Sobre quem achou e devolveu o dinheiro, seu Mário só sabe que é uma mulher. E que é boa pessoa.

"Que Deus lhe dê muita saúde, paz e harmonia e muitos anos de vida pra que ela possa continuar praticando o bem. É um exemplo pra todo mundo", elogiou seu Mário.”

O que fez uma mulher encontrar R$ 708,00 perdidos no metrô e devolvê-lo? A consciência de que aquele dinheiro – fosse qual fosse o valor – não lhe pertencia e que, muito provavelmente, faria falta a quem o perdeu.

Será que são poucas as pessoas que pensam desta maneira? Ou as pessoas possuem um desenvolvido senso de justiça?

Não sabemos a resposta. Numa inferência, que pode ser incorreta, diria que atualmente seriam poucas as pessoas que devolveriam uma quantia que alguém perdera.

O fato é que a mulher deu exemplo de desprendimento e desapego, o que é muito importante nos dias de hoje. Ser lembrada por uma coisa positiva vale muito mais que colocar R$ 708,00 no bolso. Vale mais, também, dependendo da pessoa, porque terá sua consciência tranqüila. Durmirá neste dia em paz.

Além de ser um valor cristão e de muitas religiões e filosofias, a honestidade é valor sem preço, notoriamente num mundo capitalista e demasiadamente preso às coisas materiais. O que deveria ser obrigação de caráter de todos, é destacado como uma grande exceção. Políticos honestos, então, é meio caminho andado para se eleger.

Do ponto de vista espiritual, ser desonesto também “é uma roubada”.

Primeiro, porque todos nós somos acompanhados, o tempo todo, por presenças de espíritos que vêem os nossos atos. Ninguém faz nada sem que não seja percebido. Quem engana, na prática, imaginando que ninguém sabe o que ele faz, está sendo enganado.

Depois há outro problema: não se ficará imune à lei de causa e efeito, uma vez que se não responder pela sua ação no nível da justiça humana, será irrevogavelmente julgado pela justiça divina.

Ao homem, cabe o dever de fazer o bem sempre, pois até a omissão é condenável.

Quando o indivíduo desperta a sua consciência e se descobre como um ser espiritual que é, passa a pensar e agir de forma diferente. Ele sabe que o dinheiro não traz a verdadeira felicidade, senão a felicidade efêmera, e, portanto, não rouba nem se apropria daquilo que não lhe pertence.

Um dia, a mídia somente terá como pauta as notícias das virtudes humanas porque os homens serão todos virtuosos ou desejosos unicamente de fazer o bem. Enquanto isto não o lado bem das criaturas na edificação gradual de um mundo melhor.

Valeu o exemplo, minha desconhecida senhora do metrô.

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