Divaldo Franco já psicografou 200 livros e proferiu mais de 12 mil palestras

Correio da Bahia, 20/08/03
Entre os adeptos das religiões mais numerosas, os espíritas são os que apresentam maior escolaridade e rendimento médio mensal, ficando atrás apenas dos judeus. A conclusão é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou pesquisa recente sobre as religiões no país. Com mais estudo e desfrutando de melhor condição financeira em relação aos adeptos das demais religiões, os espíritas movimentam um grande mercado editorial, fonográfico e videográfico, além de estimular a venda de outros produtos.

O maior exemplo disso está na Mansão do Caminho, ligada ao Centro Espírita Caminho da Redenção. Seu fundador e principal médium, Divaldo Franco, 76 anos, já psicografou mais de 200 títulos. Até o momento, cerca de 7,2 milhões de exemplares já foram vendidos. Para divulgar sua obra, Divaldo Franco passa 250 dias no ano fora de Salvador. Já realizou mais de 12 mil palestras e conferências em 700 cidades de 61 países, em quatro continentes. Para atender à crescente demanda, a Mansão do Caminho adquiriu, este ano, seu próprio parque gráfico.

Além de Divaldo Franco, a Bahia conta com vários autores que psicografam ou escrevem livros sobre os princípios da doutrina. Entre eles estão Djalma Argolo, Carlos Bernardo Loureiro, Adenauer Novaes e Clóvis Nunes. "Os espíritas consomem uma grande quantidade de livros anualmente. Em conseqüência disso, existe também uma produção editorial crescente para atender a essa demanda. Existem livros para todos os níveis intelectuais, e os adeptos da doutrina são ainda estimulados a outros tipos de leitura, como ciência e filosofia", explicou Creuza Lage, presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia (Feeb).

No total, 182 municípios baianos, de um total de 417, possuem um centro espírita. Ao todo, são 389 unidades cadastradas no interior e outras 165 na capital, somando 554 em todo o estado. Segundo a presidente da federação baiana, os adeptos do espiritismo são estimulados a estudar e conhecer a doutrina para que façam uma análise dos principais conceitos e os apliquem à sua vida. "Ele não é obrigado a entrar na faculdade, mas os estudos exigem pelo menos uma melhor elaboração mental, que melhora muito a sua percepção do mundo", afirmou.

Além do elevado consumo bibliográfico, os adeptos do espiritismo ainda consomem CDs, com mensagens de auto-ajuda e músicas mediúnicas e vídeos, apresentando palestras contendo explicações sobre a religião. Nada disso é por acaso. Segundo a publicação do IBGE, 98,1% dos adeptos da doutrina espírita são pessoas com 15 anos ou mais de idade alfabetizadas. Conseqüentemente, 8,4% deles ganham mais de 20 salários mínimos, enquanto no total da população apenas 2,7% têm esse rendimento. Entre aqueles que ganham até um salário mínimo, os espíritas têm a menor proporção (7,9%), enquanto católicos e evangélicos as maiores (26,3% e 23,5%, respectivamente).

Também são os espíritas que têm a maior proporção de pessoas com dez anos ou mais de idade ganhando de cinco a dez salários mínimos (25%). Já os evangélicos pentecostais tinham a maior proporção de pessoas com rendimento de um a dois salários mínimos. Em se tratando de rendimento médio mensal, os espíritas ganham quase três vezes mais do que os evangélicos pentecostais (R$ 700,00 contra R$ 260,00). Os católicos e os sem religião tinham o mesmo rendimento: R$ 300,00.

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