TODO PODEROSO
O que você faria se fosse Deus?

Carlos Pereira

A comédia “Todo Poderoso” traz Jim Carrey como Bruce Nolan, um repórter de uma emissora de televisão. Bruce gostaria de ser o âncora do noticiário, mas não possui a devida credibilidade para isso, uma vez que é conhecido por suas matérias de humor. Despedido da emissora após criticar no ar a nomeação do seu principal concorrente à vaga que desejava, Bruce esbraveja contra Deus questionando o porquê Dele o persegui-lo tanto. Eis então que Deus (Morgan Freeman) resolve lhe transmitir Seus poderes por uma semana, para que Bruce tente se sair melhor no cargo.

Como Deus, Bruce só faz bobagens. Dividiu a sua sopa de tomate ao meio como se ela fosse o Mar Vermelho; trouxe a Lua mais para perto para facilitar uma noite romântica; enrolou a língua do seu rival na emissora e aumentou os seios de sua namorada (Jennifer Aniston), entre outras “obras divinas”. Bruce não dedicou um momento sequer a pesar as conseqüências do que estava fazendo, mostrando-se profundamente egoísta e inconseqüente. No final do filme, Bruce aprende com Deus a lição da vida, segundo a qual, toda pessoa é o seu próprio milagre e que ninguém deve interferir no livre-arbítrio de quem quer que seja, cujas conseqüências dos próprios atos servirá como aprendizado.

E você, o que faria se fosse Deus?

Aparentemente pode parecer algo fácil, mas não é. Desejos de bondade como acabar com as doenças, com a miséria, com a violência e assim por diante pode ser uma inclinação natural de um Deus bem intencionado, porém estas coisas não acontecem porque Deus quer. Muitas delas são obras dos homens, da imprevidência humana, ainda arraigada as suas imperfeições, fruto da Lei de Causa e Efeito e do Livre-Arbítrio, tão-somente.

A lógica divina tem a sua razão de ser. Deus não escreve certo por linhas tortas, nós humanos é que enxergarmos de maneira torta, míope, a escrita do Criador. A deficiência é humana, mas esquecemos deste detalhe. Até na oração do Pai Nosso, centenas de milhões de pessoas suplicam para que “Seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como nos Céus”, no entanto, pede que as coisas se comportem a sua maneira. Inevitável, afinal o egoísmo é uma das marcas do atual estágio de evolução da humanidade que sequer ainda tem uma noção nivelada do que é Deus. A Doutrina Espírita define Deus como a “Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”. A rigor essa afirmativa não chega a ser uma definição, quando muito a demonstração de um atributo e sua origem eterna. Os Espíritos que responderam as perguntas de Allan Kardec adiantaram que somente os Espíritos Puros é que compreendem a Deus, portanto, temos uma pálida idéia do que Ele seja. Ou do que Ele não deva ser para ser chamado de Deus.

Deus, para ser digno de ser Deus, deve ser a absoluta perfeição. Nele concentrado a absoluta bondade, justiça e misericórdia, além de estar em todos os lugares e ser a única força disciplinadora do Universo.

Jesus, porém, advertiu que somos deuses. Sim, deuses com “d” minúsculo, porque com “D” maiúsculo somente um, o Todo Poderoso. Como deuses, temos a oportunidade de promover diariamente a melhoria de suas obras, sendo co-criador. O problema é que poucos na Terra parecem acreditar na afirmativa do Cristo. Os que têm consciência desta sua lembrança conseguem, de fato, fazer enormes prodígios aos olhos daqueles que não se enxergam como tal.

Para começar a pensar e agir como deus, decida ser o âncora da sua própria vida, vencendo a si próprio, de preferência. Quando fizer isto, você perceberá que será “um com o Pai”. Neste dia, você será deus.

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