O SEXTO SENTIDO
As angústias de uma criança com mediunidade de vidência

Carlos Pereira

Novamente o cinema traz uma faceta sobre a espiritualidade. Desta vez, é um menino de 8 anos de idade, Cole, que vive atormentado pela visão que tem de pessoas que já morreram. Com medo, corre para uma Igreja Católica, pois lá se sente protegido das perseguições dos mortos. Ninguém lhe entende. Na escola é chamado de anormal e a mãe aflita não sabe a quem recorrer. Além das visões, estranhamente aparece no corpo de Cole marcas como se houvesse sido surrado. Aí entra no filme um psicólogo, vivido pelo conhecido ator Bruce Willis, que tenta angustiosamente resolver o problema do menino na tentativa de compensar uma falha no tratamento dispensado a um de seus pacientes.

O filme chama o fenômeno da mediunidade como 'O Sexto Sentido'. Pode ser, se considerarmos todas as faculdades do espírito ainda desconhecidas pelo homem, no entanto, há fenômenos que são produzidos ou percebidos pela própria pessoa sem a interferência de qualquer outra inteligência, que poderíamos denominar de fenômenos anímicos ou psíquicos. Outra categoria de fenômenos estaria no campo da relação com o mundo espiritual, no contato com pessoas falecidas, estes chamados de mediúnicos. No primeiro caso, denominam as pessoas portadoras destas sensibilidades extra-sensoriais de paranormais, sensitivos ou Agentes-Psi, entre outras, e no outro caso de médiuns.

O tipo de mediunidade tratado em “O Sexto Sentido” é chamado de vidência, ou seja, a capacidade que algumas pessoas possuem de ver e se comunicar com os espíritos dos que já morreram, ou na terminologia espírita, que já desencarnaram – saíram do corpo físico. Os médiuns videntes vêem com os olhos da alma, por isso, podem estar de olhos fechados e enxergarem os espíritos. Até os cegos vêem os espíritos. Não são todos os médiuns que têm esta faculdade que deve ser desenvolvida naturalmente. É raro até encontrar médiuns que possuam esta faculdade de maneira permanente. E não seria interessante tê-la ostensivamente. Os médiuns videntes vêem tudo que querem e o que não querem. Perceber espíritos evoluídos, de beleza radiosa, é uma grande alegria e satisfação, porém, ver espíritos sofredores, de formas animalescas e de fealdade extrema, causa pavor a qualquer pessoa, mesmo as mais preparadas para lidarem com a situação.

O apóstolo Paulo costumava dizer que somos acompanhados de uma multidão de testemunhas, de seres invisíveis aos olhos físicos, mas que estão em toda parte. No livro 'Os Mensageiros', o espírito André Luiz, na psicografia do médium Chico Xavier, relata suas primeiras observações quando retornava espiritualmente à Terra e se surpreendia com o que via : “Identificava a presença de muitos desencarnados de ordem inferior, seguindo os passos de transeuntes vários, ou colados a eles, em abraço singular. (...). Posso assegurar que o número de entidades inferiores, invisíveis ao homem comum, não era menor, nas ruas, ao de pessoas encarnadas, em contínuo vaivém”.

A Doutrina Espírita esclarece a faculdade mediúnica da vidência, orientando o médium em saber utilizá-la para o bem e colaborando para que espíritos desavisados compreendam a sua nova realidade. Nada há de anormal em ver espíritos, até porque os vemos comumente em sonhos. Dia virá em que o relacionamento entre as duas dimensões será uma continuidade natural e os perceberemos com maior intensidade. Sem medo algum.

Dicas de Leitura Complementar:
  • O Livro dos Médiuns: Allan Kardec.
  • Os Mensageiros: Francisco Cândido Xavier/André Luiz.

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