CORPO FECHADO
A clarividência e a precognição não são dons especiais.

Carlos Pereira

O diretor de cinema M. Night Shyamalan está de volta às telas e outra vez abordando a temática transcendental. Depois de “O Sexto Sentido”, quando apresentava as angústias de um espírito pós-morte e de um menino médium, agora, em “Corpo Fechado”, trabalha outras potencialidades paranormais, especificamente a clarividência e a precognição, aliado a uma dose hollywoodiana de super herói. “Corpo Fechado” é a estória de um segurança que, após o descarrilamento de trem em que era passageiro, salva-se sozinho, entre 131 mortos contados no acidente. A partir daí, entra no seu destino um colecionador de gibis que tenta mostrar que ele é um ser especial e que precisa descobrir os poderes que possui e ignora. Bruce Willis, o mesmo protagonista do filme anterior, passa a perceber que nunca ficara doente na vida e que saíra ileso a diversos outros acidentes anteriores a este. Dono de uma força digna de super-homem, o segurança se transforma no protetor da cidade contra o crime. Tirando a fantasia, estudemos os fenômenos paranormais.

No filme, o segurança consegue perceber, sem saber como, quando alguém está portando uma arma ou droga, por exemplo. Esse fenômeno é conhecido como clarividência, ou seja, a capacidade de captar informações do meio externo. A clarividência pode ser de dois tipos, a endoscópica – quando o sensitivo parece “ver” o interior das coisas que lhe estão próximas – e a exoscópica – quando o sensitivo percebe o que ocorre como se estivesse fora do corpo; ou quando percebe o que acontece, naquele momento, em outro local, como se estivesse fisicamente naquele ambiente; ou como visse um imagem numa tela de projeção. A clarividência não é um fenômeno mediúnico, porque não há a participação de um intermediário espiritual, no entanto, os médiuns podem passar por estes fenômenos por intermédio de uma certa indução espiritual ou mesmo porque, geralmente, o médium possui intrinsecamente sensibilidades anímicas.

Outro fenômeno corrente em “Corpo Fechado” é a precognição, isto é, a capacidade de conhecer antecipadamente os fatos. O segurança conseguia, ao tocar nas pessoas, saber o que iria lhes ocorrer. A precognição refere-se ao próprio sensitivo, a outras pessoas ou a eventos físicos. Pode ser objetiva – percebe-se o fato como na realidade irá acontecer – ou subjetivo – através de símbolos por conta de uma certa autocensura do sensitivo com relação ao fato. Por saber previamente do fato isto não impede que ele, na maioria das vezes, impeça-o de ocorrer. Para se passar por um fenômeno de precognição não é necessário o toque e, neste caso, o segurança poderia ser portador de outra sensitividade: a psicometria, a capacidade de obter a informação pelo contato direto com um objeto ou agente que o faria remeter a situação desejada.

Via de regra, não há ninguém de corpo fechado, como quer induzir o filme. Todos nós somos responsáveis pelo nosso destino como uma resposta espontânea de nossas ações, o bem traz o bem, e o mal tende a trazer o mal. Até mesmo aparentes tragédias têm o seu conteúdo de lição a ser tirado delas. Ninguém está isento à lei da reciprocidade, de ação e reação.

Quanto aos fenômenos, qualquer um destes, são considerados naturais, porém, ainda, não habituais, daí denominar-se de paranormais, existem em paralelo a normalidade e, por esta razão, não são anormais. O homem, quando despertar para suas imensas potencialidades, por enquanto adormecidas, saberá utilizá-las para vôos mais altos de sua evolução, claro, se conduzi-las para o bem. Aí sim, neste dia, todos serão super-heróis e não será apenas uma bela estória de gibi, ou de cinema.

Dicas de Leitura Complementar:
  • Os Enigmas da Psicometria: Ernesto Bozzano.
  • Manual de Parapsicologia: Valter da Rosa Borges.

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