MINORITY REPORT - A NOVA LEI
A precognição como arma contra o crime

Carlos Pereira
O diretor Steven Spielberg chega às telas com um filme futurista em todos os sentidos, não muito distante, em 2054, onde é possível se antecipar aos crimes e tentar evitá-los, através de uma instituição do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, denominada de Divisão Pré-Crime. Como fazer isso? Através do “Pre-cognes”. Pessoas altamente sensíveis que enxergam o que vai acontecer e transcrevem em leitores mentais que transformam as imagens do pensamento em imagens eletrônicas plasmadas.

“Acho que todos nós adoraríamos saber o que está por vir, o que vai acontecer em seguida, no mundo e em nossas vidas. Esta história flerta com a idéia de como seria se pudéssemos prever algumas coisas do futuro, principalmente questões de 'vida ou morte”, comenta o diretor Steven Spielberg sobre Minority Report.

A estória que é do escritor Philip Dick foi publicada pela primeira vez em 1956. Dick é o mesmo criador de um outro sucesso de cinema: Blade Runner – O Caçador de Andróides. Num e noutro, as questões da psicologia humana, em especial com o tempero da violência urbana, são cruzados com tendências sobre a sociedade do futuro e o desenvolvimento da tecnologia. Minority Report traz de volta a idéia do Big Brother, concebido inicialmente pelo escritor George Orwell, em que a tecnologia tudo poderia ver e conseqüentemente invadir a privacidade de quem quer que seja, tudo em nome do bem coletivo. E é assim, aproveitando as visões de três 'Pre-Cognes', que a nova lei se instala em Washington: visualizando os crimes antes que sejam praticados, o futuro criminoso é preso e acusado daquilo que ainda iria fazer. Isto sim é que é ação proativa.

A descoberta dos Pre-cognes foi uma conseqüência acidental de outra pesquisa e aí foi aproveitada a faculdade precognitiva para a explorarem contra o crime. O líder da Divisão Pré-Crime é Anderton, interpretado por Tom Cruise, que em muitos momentos parece estar atuando noutro filme, o Missão Impossível. Até então, Anderton nunca havia se indagado sobre a questão ética do que fazia, até que na manipulação das imagens vê-se praticando um crime e tenta burlar a informação. A partir daí, começa sua jornada para mostrar que o sistema montado poderia ser falho, pois ele não iria praticar o crime, contrariando a tese que os Pre-Cognes nunca errariam.

Suspense à parte, Minority Report (Denúncia de uma Minoria) chama a atenção para a precognição humana que embora seja uma faculdade ainda paranormal nada tem de sobrenatural. Típico fenômeno psigâmico, a precognição é o conhecimento inferencial, em nível inconsciente, de eventos futuros não previsíveis. O anúncio precognitivo pode estar relacionado com o próprio sensitivo, com outras pessoas ou com eventos físicos.

Foi Joseph Banks Rhine, criador da Parapsicologia, quem fez a primeira abordagem experimental sobre precognição, mas foi bem antes, nos estudos de Allan Kardec, organizador da Doutrina Espírita, que algumas informações sobre o assunto foram esclarecidas. Além da absorção pela própria pessoa de fatos futuros, outra forma de acesso a estas informações pode ocorrer pelo uso da faculdade mediúnica, mediante a atuação dos médiuns de pressentimentos. Os espíritos é que trazem o conteúdo e o médium externaliza a mensagem. Kardec também adianta que aquelas pessoas que possuem a faculdade da dupla vista, geralmente conseguem vislumbrar o futuro, pois, libertas temporariamente das prisões físicas, o espírito pode apreender informações mais facilmente, uma vez que na dimensão espiritual o ser encontra-se livre das limitações de tempo e de espaço. Os Pre-Cognes são os videntes da nova era tecnológica, na concepção do filme Minority Report.

Outro fato interessante do filme, entre vários, são os transportes. Haverá, na metade deste século que vivemos, o “Mag-Lev” (Levitação Magnética), isto é, um sistema tridimensional baseado numa combinação de táxi e elevadores. Pode ser que sigamos nesta direção tecnológica, mas no famoso livro espírita Nosso Lar, de André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, este relata que no plano espiritual existe o Aeróbus, um carro aéreo, que se deduz também deverá estar presente no nosso cotidiano futuro. Minority Report faz alusão, sem querer, a Jesus, quando este afirmava que se pecaria primeiramente pelo pensamento. Porque é no pensamento que começa a se materializar eventos futuros, em que a mente já plasma a ação vindoura. Brecando-se imediatamente os pensamentos nefastos, cortar-se-ia o mal pela raiz. Este foi o alerta do Cristo. Agora, ser denunciado, julgado e preso antes de cometer o delito põe em contradição o livre-arbítrio que é lei universal. É baixar a cabeça para um determinismo fatalista. Onde estaria a possibilidade da escolha e reversão da situação?

Já não é sem tempo que as obras de ficção, em qualquer mídia, devam prospectar um futuro de harmonia para o ser humano, de convivência pacífica, de construção permanente de um mundo melhor, onde não haja a injustiça e que o crime seja banido pela conscientização geral de que somos filhos de Deus e que estamos na experiência carnal para aprendermos a amar uns aos outros. Neste dia profético, o registro de um crime será coisa de uma minoria.


Dicas de Leitura Complementar:
  • Obras Póstumas - Allan Kardec.
  • Precognição - Adelaide Petters Lessa.
  • Paragnose do Futuro. A Predição - Adelaide Petters Lessa.
  • Manual de Parapsicologia – Valter da Rosa Borges.

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