As Múltiplas Faces da Depressão
Inês Feijó
Publicado em 29/06/2008

Dentre os inúmeros problemas que assolam a humanidade, a depressão, certamente, merece destaque, não só por estar mais ligada ao suicídio, como também pela grande dor que causa. Atingindo cerca de 15% da população, até 25% quando se trata de mulheres, chegou a ser definida por alguns estudiosos como uma verdadeira pandemia. Apesar disto, desde tempos remotos se verifica a sua existência, obviamente com outras terminologias, em especial "melancolia". No Antigo Testamento, por exemplo, a história do Rei Saul descreve uma síndrome depressiva, bem como diversas passagens do Livro de Jó.

Os estudos acerca dela crescem vertiginosamente, retirando alguns tabus criados em seu entorno, como na Idade Média. No entanto, a sua causa permanece, ainda, desconhecida para a medicina. Em que pese isto, muito já se conseguiu descobrir, do ponto de vista biopsicossocial, sobre a sua etiologia. Sabe-se, que a noradrenalina e a serotonina são os dois neurotransmissores mais envolvidos em sua gênese, além de a correlacionarem com distúrbios endócrinos, como a hipersecreção de cortisol e transtornos da glândula tireóide. Igualmente, Sigmundo Freud postulou uma relação entre as mais variadas perdas e a síndrome, e a terapia cognitiva verifica nos pacientes diversas intrepretações cognitivas equivocadas.

Deste modo, por se tratar de uma doença multifatorial, como sói acontecer com os transtornos mentais em geral, deve-se ter em mente uma abordagem terapêutica ampla. Cada vez mais, a abordagem psiquiátrica diagnóstica e medicamentosa ganha respaldo científico. As evidências mostram a importância desta intervenção. Desde a década de 50, quando o primeiro remédio neuropsiquiátrico efetivo foi descoberto, verifica-se a possibilidade de fazer uma abordagem ambulatorial dos pacientes com transtornos mentais, e não só a internação deles. Paralelamente, porém, as diversas abordagens psicoterápicas, em um crescendo, vêm demonstrando também a sua importância terapêutica crucial.

Modernamente, graças especialmente a pesquisas norte-americanas, como as do Dr. Harold Koening, sente-se uma necessidade crescente de se voltar à religiosidade na busca de um bem-estar mais efetivo. Sendo assim, as palavras de Jesus reaparecem, mais uma vez, como verdadeiro bálsamo aliviador das dores humanas. E, deste modo, o Espiritismo vem se preocupando, através, das diversas Associações Médico-Espíritas pelo Brasil, em estudar esta síndrome, andando, como recomendava Allan Kardec, ao lado da ciência, sem pretensões competitivas, sempre prejudicais a todos.

Maria Inês Machado é psicóloga do Núcleo Especializado em Dependência Química- NEDEQ-UFPE e presidenta do NEIL

Fechar

Endereço: Rua Marechal Deodoro, 460, Encruzilhada, Recife/PE - CEP 52030-170