O Sublime Direito a Vida
Leonardo Machado
Publicado em 01/06/2008

Diante das guerras do mundo e das insanidades do egoísmo, nunca será demais se falar de vida. Jesus, aliás, obtemperou que tinha vindo para nos dar vida, e dá-la em abundância (João 10:10). Desse modo, importante é que a valorizemos como sendo um bem incomparável, por mais torpe que ela nos possa parecer em um primeiro instante, já que ela é, na realidade, uma grande dádiva de Deus em nossa jornada espiritual. Permita-me, portanto, conversar com você leitor, em alguns domingos sobre o abortamento, ou seja, sobre o ato de abortar. Mas faremos isto sem nenhum ato condenatório ou julgador.

"O Livro dos Espíritos" informa que "o primeiro de todos os direitos naturais do homem" é o de viver. Por isso mesmo, "ninguém tem o de atentar contra a vida do semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal" (perg.880). E, se pararmos para pensar bem, lembraremos que, igualmente, nos Mandamentos recebidos por Móises, há, em letras claras, a recomendação do "não matarás" (Êxodo 20:13).

Neste sentido, qualquer atentado à vida, em seus diversos aspectos, poderá até ser legal pelas legislações humanas, mas nunca logrará ser moral diante de nossa própria consciência, local sacrossanto no qual Deus escreveu as suas Leis.

Nesta perspectiva, é que o Espiritismo entende a abortação, praticada em qualquer período da gestação, como um lamentável crime, porque contrária às Leis Divinas. (perg.358)

Saliente-se a ênfase dada à "qualquer período da gestação". Isto porque, para a Doutrina codificada por Allan Kardec, a vida começa no momento da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, já que é a partir daí que o Espírito que irá reencarnar - ligar-se, novamente, a um corpo - começa a ligação com a sua futura indumentária física, só a completando definitivamente por ocasião do nascimento (perg.344). Depreende-se disso, portanto, que para a Doutrina Espírita o embrião não é uma coisa pertencente à mãe, mas uma individualidade em desenvolvimento reencarnatório, transitoriamente dependente do útero desta.

Escuto com freqüência, em especial no meio universitário, opiniões favoráveis a práticas abortivas, unicamente subordinada à vontade da mãe - muitas vezes, sem condições emocionais para fazê-lo - com o argumento de que o embrião faz parte do corpo materno e, portanto, cabe a esta o "direito de ir e de vir".

Obviamente, respeito, e sinceramente não julgo, toda e qualquer tipo de posição, muito embora não concorde com todas, e, algumas vezes, ache até lamentável. Além de lembrar de minhas convicções filosóficas e religiosas, recordo das contribuições da ciência humana.

O Prof. Churchill LivingStone falando sobre a embriologia, elucida que a "formação do zigoto é o ponto zero do desenvolvimento embrionário, a partir daí o zigoto se diferencia radicalmente das células da mãe, é único, não repetitível e capaz de comandar sozinho o seu desenvolvimento". E, assim, corrobora a visão apresentada pelo Espiritismo. Surgem por meio de vocês, mas não se originam de vocês, / E, embora estejam com vocês, não lhes pertencem".

Leonardo Machado é estudante de medicina da UPE e palestrante espírita. http://leomachadot.blogspot.com

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