Jesus
Leonardo Machado
Publicado em 04/05/2008

"No mundo passareis tribulações, mas tende confiança, eu venci o mundo" (J. 16:33). O incrédulo poderá rir de tais palavras do Mestre. Dirá - "Jesus foi um vencido que morreu na cruz!" - ignorando o valor real da vitória que se pode ter no mundo.

Antes dEle, certamente, vencer o mundo, e/ou no mundo, era realizar uma soma de conquistas exteriores. Grandes imperadores deram mostras desta visão limitada. Com Ele, e depois dEle, porém, profundo modificador das concepções humanas, vencer passou a ter um valor mais profundo.

Isso porque sua vida, a um olhar desatento, fora todo um somatório de dificuldades. Entretanto, sua existência e sua essência são o protótipo de perfeição a que é dado o homem atingir e seguir. Desse modo, apesar das tribulações, sempre passageiras, Ele permanecera sereno no amor que exalava.

Eis porque, de todas as construções antigas, a que Ele fizera é a única que permanece inquebrantável até hoje, estando, ainda, em contínuo processo de construção nos corações dos seres. Do passado, tem-se, quase sempre, ruínas. Dele, ter-se-á, para sempre, a fortaleza de seu exemplo de viver e de sua mensagem de amor.

Desse modo, indubitavelmente, Ele é o grande vencedor de todos os tempos.

Quem morrera e quem sofrera não fora Ele, mas a sua parte gerada pelos homens, o seu corpo, o sua indumentária carnal, a sua parte material. Em uma palavra a parte que seus pais criaram, aquela que era o filho do homem - "era necessário que o Filho do homem padecesse muito, que fosse rejeitado e morto pelos anciãos" (Marcos 8:31)- dissera Ele. Nunca, porém, falara isso do filho de Deus.

Isso porque Ele, a sua essência espiritual, o filho de Deus, a parte advinda do Pai, nunca poderia ser morto por ninguém, nem sofrer, porque quem ama como Ele amara não sofre intimamente, mesmo que passe dificuldades exteriores.

Todos nós, da mesma forma, temos duas esferas. Aquela que herdamos de nossos genitores da Terra, e aquela que nos identifica realmente e que saiu diretamente do Pai. Vivemos, porém, para o filho do homem em que estamos, e esquecemos, assim, do filho de Deus que somos. As tribulações se nos apresentam, contudo, como sendo grandes espelhos para o nosso "eu" espírito, convidando-nos à necessária reflexão e modificação interior.

Quem vive exclusivamente para o filho do homem, certamente, poderá ficar em desespero diante dos obstáculos. Aquele, entretanto, que se identifica com o filho de Deus obterá mais facilmente a serenidade imprescindível.

Sendo assim, as dificuldades nos chamam para a identificação com o filho de Deus que há em nós e que somos. E, dessa maneira, faz-nos um chamado à vitória interior. E quem se vence, como Jesus, vencerá, de modo singular, o mundo.

Leonardo Machado é estudante de medicina da UPE e orador espírita do NEIL.

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