Sobre a honra e o labor
Leonardo Machado
Publicado em 20/04/2008

No mundo, é provável, existem aqueles que procuram honras e projeções pessoais a todo instante. Trabalham, aparentemente, em nome do amor ao mister a que se entregam. E, por ele, tornam suas vidas, para um olhar parcial, em verdadeiros repositórios invejáveis de bênçãos.

Por certo, este ideal nobre existe.

Contudo, quase sempre, mesclado, quando não dominante, a este há uma clava enorme de vaidade pessoal que procura, repetidas vezes, a honra individual.

Assim, vez que outra, eles deixam transparecer a angústia interior que os domina.

Aos olhos do mundo, de fato, tais atitudes mentais são normais e, até mesmo, muito louváveis.

Na contramão, no entanto, aparece-nos a proposta de Jesus.

O Mestre nos convida, a todo instante, à realização do labor pelo amor à causa e ao ideal do bem, e não em busca da obtenção de honrarias pessoais. Ensina-nos, ainda, que toda glória pertence ao Pai, pois Este é o supremo gerador de tudo.

Desse modo, Ele mesmo, apesar de toda a grandiosidade que possuía e possui, declarou, em anotações de João: "nada faço de mim mesmo, mas digo o que o Pai me ensinou" (São João 8: 28). E, por isso, falou: "não procuro a minha glória" (São João 8: 50).

É evidente que o mundo, nada obstante a clareza do meigo Rabi, não foi capaz de compreender, em profundidade, estas, bem como outras, palavras. E, por isso mesmo, julga tresloucados, sonhadores ou hipócritas aqueloutros que se esforçam na prática de tais preceitos.

Que o mundo, entretanto, escolha o caminho a que se vem entregando, é compreensível. Os trabalhadores do Evangelho, porém, a nosso turno, devemos ficar com o Cristo.

Sendo assim, não poderemos, nunca, macular a sacrossanta Seara do Mestre com os atavismos mundanos. Uma vez que, se os ensinos de Jesus são válidos em toda e qualquer circunstância, com muito maior razão devem ser lembrados por todos os seus seguidores.

Neste ínterim, vale à pena perguntarmo-nos:

"Em nome de quem eu estou trabalhando?"

"Com qual finalidade eu estou a pegar a charrua?"

"Como anda a minha pretensão? Ainda me lembro de que tudo que faço no bem provém de Deus e é do Pai?"

As respostas serão sempre certas quando forem forjadas na basilar mensagem do amor-doação de Jesus, aquele que nada procurou para si, mas que tudo aquilo quanto aprendeu do Senhor dos Seres ensinou para nós sem jamais perguntar-se "até quando?".

Leonardo Machado é estudante de medicina da UPE e orador espírita. http://leomachadot.blogspot.com

Fechar

Endereço: Rua Marechal Deodoro, 460, Encruzilhada, Recife/PE - CEP 52030-170