Famosos no Além
Carlos Pereira
Publicado em 06/04/2008

A vida depois da morte é praticamente objeto de crença de toda gente. As principais religiões do mundo possuem entre os seus fundamentos a sobrevivência após a morte e um destino específico de acordo com o que cada um fez na vida física. São, assim, espiritualistas, pois pregam a indestrutibilidade do ser, da consciência, do espírito. Neste leque é que se insere a doutrina espírita, com sua visão particular da realidade transcendental, revelada, porém, pelos espíritos daqueles que viveram entre nós, dando os seus depoimentos existenciais.

Coube ao sistematizador da filosofia espírita, Allan Kardec, desmistificar esse "véu de Ísis" trazendo de maneira didática e numa linguagem compreensível, à maioria das pessoas, como é esta dimensão espiritual, o modus de relacionamento, o processo de retorno ao corpo físico e de volta mundo espiritual e assim por diante. Em O céu e o inferno, Allan Kardec preocupou-se em elucidar a diversidade de experiências que têm as pessoas, em vários níveis sociais e culturais, no seu reencontro com o outro lado da vida. São depoimentos impressionantes de pessoas comuns e algumas conhecidas pelo público da época. Essas comunicações não cessaram, pelo contrário, cada vez mais os que partem sentem a necessidade de expressar as suas sensações pós-morte, o estado espiritual em que se encontram e mandar recados aos que ficam para que não repitam os mesmos erros que eles cometeram por desacreditar na continuidade da vida. Igualmente, são pessoas comuns, mas também aqueles que ganharam alguma notoriedade nas suas últimas vivências na carne.

Entre alguns brasileiros famosos recentes que conseguiram passar estes depoimentos, muitos em forma de livro, destacam-se os ex-presidentes da República Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, os cantores Cazuza e Raul Seixas, o pai da aviação Santos Dumont, dom Hélder Câmara, entre outros. Poetas e mais poetas fizeram-se presentes pela via mediúnica de Chico Xavier. Irineu Gasparetto tem sido intérprete musical de cancões de Clara Nunes, Noel Rosa, Nélson Cavaquinho, Vinícius de Moraes e tantos mais. Muitos médiuns são as mãos de pinturas de Tarsilla do Amaral e Anita Malfatti, por exemplo. É bastante natural que sejam mantidas as mesmas tendências e preocupações das pessoas após a morte física, desejando desenvolver aquilo que se identificaram e ficaram conhecidos. Mais ainda. Que se influencie, se inspire, a aqueles que guardam as mesmas afinidades no plano físico. Há, no entanto, uma dificuldade que os famosos do além declaram ser comum encontrarem nos médiuns: desacreditarem que são eles mesmos os autores espirituais. Muitos médiuns acham-se indignos de serem porta-vozes de pessoas que sequer tiveram contato e, assim, bloqueiam a acessibilidade.

Nestes tempos de transição planetária, saindo da fase de prevalência do mal para a regeneração moral, as "vozes dos céus" buscam os canais humanos para proclamarem a imortalidade do ser e a necessidade de conduzir as suas vidas no bem, como a repetirem a parábola de Jesus quando o judeu rico, envolto no seu "inferno" consciencial, solicitava a Abraão a permissão para alertar aos seus para não terem o mesmo destino deles, até porque ser famoso na Terra não representa qualquer passaporte ou privilégio no mundo dos espíritos. Fama não é sinônimo de superioridade moral, mas pode ser excelente oportunidade para se tornar referência de comportamento para seus admiradores, encaminhando-os positivamente pelo seu exemplo de vida.

Carlos Pereira é membro da Associação de Divulgadores do Espiritismo, ADE-PE.

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