O espírito e o espiritismo
Ubirajara Melo
Publicado em 17/02/2008

Há milênios que o ser humano assiste à discussão acerca da existência do espírito. Desde a idade neolítica, na China, em 4365 a.C., documentos encontrados informam sobre crenças religiosas de Yang Chao, quando as crianças eram enterradas perto das habitações, em grandes urnas, munidas de uma abertura no cume a fim de permitir que a alma saísse e retornasse, passando por Confúcio, que legou à humanidade lições extraordinárias através de célebres frases tais como: "A suprema satisfação encontra-se no desenvolvimento das suas próprias virtudes", e "quando nascestes, todos sorriam e só tu choravas, procuras viver de modo tal para que quando morreres todos chorem e só tu sorrias". Há menção do espírito no Bramanismo, Hinduismo, Budismo, Taoismo, Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, nos povos celtas, trácios, germanos, getas, caldeus, egípcios e muitas outras doutrinas e povos. Na Antiguidade, só os iniciados consagravam a vida inteira à pesquisa do misterioso e do sagrado e começavam desde tenra idade. Eles conheciam o segredo das forças fluídicas e magnéticas, dominavam a doutrina secreta, cultivando Brahma na Índia, Osires em Mênfis e Júpiter no Olímpia.

Os hinos védicos, que formaram a religião primitiva da Índia, cantavam que o corpo era envoltório da alma, que aí faz sua moradia e é uma coisa finita, mas a alma que o habita é invisível, imponderável e eterna. Do mesmo modo, no Egito, com o livro dos mortos, foi aprofundado entre os iniciados o culto da alma e seu destino, criando-se uma verdadeira doutrina. Contudo, foram os povos da Hélade, entre os povos iniciadores, que se manifestaram com maior brilho e souberam traduzir em linguagem clara as belezas obscuras da sabedoria oriental, através de Pitágoras, que em sua academia de Crotona iniciou uma escola admirável de iniciação laica que foi o prelúdio de um grande movimento de idéias, que com Platão e Jesus iriam abalar as camadas profundas da sociedade antiga e levar as suas ondas até a extremidade do continente europeu e depois a todo o mundo.

Notáveis filósofos se preocuparam com o tema, como Schopenhauer, Lessing, Hegel, Leibnitz, Herder, Fichte e outros. Todavia, somente com o advento do Livro dos espíritos, em 1857, a primeira obra da codificação espírita, organizada por Allan Kardec, foi que se introduziu na humanidade a Era do mundo espiritual e se consagrou a existência do espírito, de modo sistematizado, com a participação dos próprios espíritos que respondiam as indagações feitas por Kardec. Pela primeira vez a humanidade passava a ter conhecimento o que era o espírito, como era o seu mundo, tornando a antiga doutrina secreta aberta para todos.

Há ainda aqueles que se perturbam quando pensam na morte, não somente em face da possibilidade de perderem seus bens terrenos, mas porque desconhecem seu destino. Arraigados em dogmas e crenças, alimentam a idéia de viver no céu após a morte, e mantêm o entendimento de que a vida é um ponto de interrogação entre o berço e o túmulo. A diferença é que hoje as informações sobre a vida e a morte são abertas a todos e não assustam os espíritas, que sabem que jamais morrerão.

Ubirajara Emanuel Tavares de Melo é advogado e diretor do Neil.

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