AS 10 DIRETRIZES DA POLÍTICA DE COMUNIÇÃO SOCIAL ESPÍRITA-PCSE

A Associação Brasileira dos Divulgadores da Doutrina Espírita-ABRADE vem trabalhando na construção e no aprimoramento de uma Política de Comunicação Social Espírita, que está em sintonia com a sua missão de "Promover e aprimorar a comunicação social espírita, fazendo interagir as idéias espíritas na sociedade de forma ética, fraterna e parceira, contribuindo para a transformação moral da humanidade e a promoção da felicidade do ser humano e o equilíbrio da natureza".

Nesta fase de construção coletiva e paulatina da PCSE - Política de Comunicação Social Espírita, destacamos as suas importantes diretrizes:

- Aceitar as participações para o debate, mesmo que elas sejam divergentes da maioria;
- Valorizar o diálogo, o intercâmbio e a liberdade de pensamento;
- Disseminar a idéia da fraternidade como relação de alteridade;
- Valorizar a relação com outras identidades culturais;
- Priorizar as pessoas acima da instituições;
- Estabelecer a ética da fraternidade como critério de união inter-institucional;
- Inserir o sujeito não espírita, em regime de diálogo, no debate espírita;
- Gerar benefícios sociais pela participação em parcerias nas campanhas públicas;
- Superar quaisquer barreiras discriminatórias e compreender as diferenças;
- Reconhecer a legitimidade do outro e de sua autonomia.

1. Aceitar as participações para o debate, mesmo que elas sejam divergentes da maioria.

Nas diversas listas mantidas pela ABRADE no ambiente virtual, a participação é voluntária e sem restrições, após o pedido de inscrição do participante. Os membros da lista podem se manifestar a qualquer momento, levantando teses e/ou concordando ou discordando (total ou parcialmente) dos posicionamentos, seja da moderação da lista, seja dos demais integrantes. A ABRADE não realiza nenhum tipo de patrulhamento ideológico ou censura, adotando como premissas, apenas, a oportunidade da manifestação (matéria espírita ou de interesse dos espíritas), a forma organizada (ao nível comum) de exposição de idéias e o conteúdo moral (não agressão, nem ofensa a qualquer dos integrantes da lista, bem como a qualquer pessoa, mesmo não participante).

Isto possibilita, na prática, a coexistência pacífica entre diversos posicionamentos e ideologias, não havendo a obrigatoriedade do consenso, da palavra final, ou do “fechamento de questão” no assunto. Valoriza-se, assim, o adágio de que “as idéias podem ser divergentes, mas as pessoas não são inimigas”.


2. Valorizar o diálogo, o intercâmbio e a liberdade de pensamento.

O diálogo interpessoal tem sido a principal e efetiva causa da resolução dos problemas da convivência humana, em todas as áreas do pensamento. Partindo-se da premissa descartiana do “penso, logo existo”, pode-se conceber a circunstância de que cada individualidade espiritual tem a sua própria verdade e a externa da forma como puder e quiser, respeitados os mínimos padrões de legalidade e as regras de conviviabilidade.

A Abrade valoriza permanentemente, em qualquer ambiente ou veículo, a regra do bem proceder, aproveitando o cenário do diálogo interpessoal como a forma adequada de intercâmbio entre os espíritos, calcada na absoluta liberdade de pensamento. Olvidando as épocas de obscurantismo e de totalitarismo, no mundo contemporâneo, além da liberdade de ir e vir e a de trabalhar, a de pensamento é, com certeza, a maior conquista de nossa civilização.


3. Disseminar a idéia da fraternidade como relação de alteridade.

Fraternidade significa, para Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira, “do latim fraternitate (s. f.) 1 - Parentesco de irmãos; irmandade. 2 - Amor ao próximo; fraternização. 3 - União ou convivência como de irmãos; harmonia, paz, concórdia, fraternização” .

Isto significa que, em nosso contato com o outro – nosso irmão – nossa postura deve ser a mais amigável possível, em níveis aceitáveis de convivência, sobre bases de harmonia, paz, concórdia e fraternização, como esclarece o dicionarista. O momento ideal para a exemplificação disto é a situação da crítica. Em grande parte das situações, não conseguimos absorver bem a crítica a nós dirigida. Nossa tendência inaugural é a de defesa, de justificação. O convívio alteritário pressupõe escutar a crítica, avaliá-la e aproveitá-la, sem a mínima necessidade de contrapor os argumentos de quem quer que seja. Quanto mais alteritários consigamos ser, mais fraternos, em conseqüência, estaremos agindo.


4. Valorizar a relação com outras identidades culturais.

O diálogo com outras identidades culturais, expressos em línguas e filosofias distintas da que esposamos gera como efeito principal o crescimento pessoal e interpessoal. Em primeiro plano, enriquece-se o nosso conhecimento, a partir da convivência entre os “diferentes”. E esta convivência gera, naturalmente, a comparação saudável, a chamada “mescla” de hábitos e comportamentos, a partir da simples consideração de que as posturas, as palavras ou as ações do outro, por serem distintas das minhas, poderão significar que, com o aprendizado, passaremos a incorporar aqueles elementos que refletirão em nós o prazer da mudança, do crescimento.

A mera constatação da “diferença” entre eu e o próximo funciona, assim, como o ponto de partida para a valorização da relação que travamos com ele, porque, nesta ambiência, constataremos que os “diferentes” são muito mais “iguais” do que se imagina. Pelo menos, em questões intrínsecas da identidade espiritual: mesma origem e mesmo destino.

No próximo número, estaremos expondo sobre os itens 5 e 6, quais sejam, disseminar priorizar as pessoas acima da instituições, e, estabelecer a ética da fraternidade como critério de união inter-institucional.


5. Priorizar as pessoas acima das instituições.

Vivemos num mundo em que as instituições (pessoas jurídicas) têm destacado papel, porque alavancam iniciativas e realizações. Em paralelo, a super-valorização das instituições acaba gerando um grave problema: a sufocação das personalidades individuais, a anulação do valor individual em prol do coletivo. Igualmente, outra dificuldade é perceber que o que tem valor não é a condição natural de ser humano, a individualidade espiritual que somos, mas, do contrário, a posição, os cargos e funções ou a qualificação técnico-profissional e os títulos que se tem.

A Política de Comunicação Social defendida pela ABRADE prioriza as pessoas, ao invés das instituições. Não que essas últimas fiquem, digamos, alijadas do processo, ou não mereçam crédito ou atenção. Pelo contrário, devem ocupar o real papel no contexto espírita e societário. Todavia, o que se valoriza é o componente individual, as idéias, sentimentos e realizações de cada um, de modo que, no convívio inter-existencial, todos sejam considerados isonomicamente e que as relações sejam construídas com base nos requisitos pessoais, no contributo que, enquanto espíritos, possam acrescer aos projetos e iniciativas que visem “a transformação moral da humanidade, a promoção da felicidade do ser humano e o equilíbrio da natureza”.


6. Estabelecer a ética da fraternidade como critério de união inter-institucional.

Uma das tônicas administrativo-organizacionais de nosso tempo é a formação de parcerias. Assim, tendo em vista determinados objetivos, agregam-se esforços, competências e habilidades para a edificação de projetos, tarefas ou organizações. Deste modo, há a conjugação de forças, seja no meio estritamente privado ou público, seja na associação de ambos, no que se convenciona chamar na modernidade de “parcerias público-privadas”.

Para a ABRADE, interessam – e muito – as parcerias. Aqui ou acolá, onde existir alguma instituição de qualquer natureza que promova ações conscientes que visem o engrandecimento do ser e a melhoria das condições físico-existenciais dos espíritos e dos demais seres da criação, haverá interesse em participar e colaborar. Isto porque, o grande mote das ações capitaneadas pela instituição ou desenvolvidas por outrem, que contem com a sua participação e/ou engajamento, será a ética da fraternidade, isto é, o absoluto respeito recíproco entre os semelhantes e a construção de relações e convivências com base na paz, no diálogo e no trabalho cooperativo. Poderão (e deverão) haver diferenças ideológicas. Todavia, a união da ABRADE com qualquer outra instituição sempre estará permeada pelas coincidências e similitudes entre objetivos, teorias, filosofias e ações.


7. Inserir o sujeito não-espírita, em regime de diálogo, no debate espírita.

Esta diretriz é para o público externo ao ambiente espírita no meio social. A partir da relação travada com qualquer pessoa não-espírita, com base no interesse recíproco no envolvimento, a PCSE propicia a inserção deste no debate espírita, oportunizando que o terceiro conheça a filosofia espírita e, também, em contrapartida, possa difundir suas idéias e crenças, valorizando-se os pontos em que seja possível a sintonia e a parceria. Isto porque o debate espírita não pressupõe, apenas, a veiculação de idéias espíritas exclusivamente.

Exemplificativamente, a participação dos espíritas em diversificados movimentos sociais propicia duas vias: 1) o contributo da percepção espiritista no equacionamento das questões debatidas e nas ações intentadas; e, 2) o aprendizado, em teoria e práxis, com os modos particulares de visão/ação que os outros parceiros possam apresentar.


8. Gerar benefícios sociais pela participação em parcerias nas campanhas públicas.

O espírita tem compromisso com o meio social em que se acha inserido e deve participar das Políticas Públicas, seja em campanhas promovidas por instituições públicas, privadas ou organizações não-governamentais, que estejam diretamente relacionadas com a promoção social, a diminuição das diferenças sociais e a conquista da felicidade humana.

Inserir-se em campanhas já existentes ou fomentar a edição de novas significa contribuir para o processo de geração de benefícios sociais, divulgando as atividades para o meio espírita, visando sensibilizar pessoas e instituições, em efeito multiplicador.


9. Superar quaisquer barreiras discriminatórias e compreender as diferenças.

As diferenças entre os homens, ontem e hoje, manifestam-se claramente em relação às culturas e aos valores étnicos, considerados atributos íntimos, e às dicotomias físicas exteriores, estas últimas mais na aparência do que na essência. Apesar delas, deve viger o preceito da isonomia que reduz as desigualdades e equilibra as relações humanas. As discriminações, do contrário, oprimem os “diferentes”, e se materializam nestes termos: O outro está ali, bem perto, com suas características pessoais, bem diferentes das nossas; nós, até, sorrimos para ele e o cumprimentamos, mas não admitimos sequer a aproximação real, pelo receio de nos “contaminarmos”, ou de sermos “vistos” no contato com ele.

A PCSE, assim, investe na redução das diferenças existentes, justamente pelo ato inteligente de compreender que cada um “vive o seu momento” e possui uma bagagem espiritual-cultural de que resulta cada postura, comportamento e atitude de nosso interlocutor. Este é o primeiro passo proativo contra a discriminação, justamente porque todos têm o direito de ser como são, e a diversidade é uma conquista da Humanidade, representada pela ampla liberdade de cada pessoa em existir, pensar e manifestar-se.


10. Reconhecer a legitimidade do outro e de sua autonomia.

Legitimidade é o exercício de determinado poder, ou faculdade, o que está em conformidade com a lei e a justiça. O outro tem, assim, existência e personalidade legítimas, devendo por isso merecer de qualquer pessoa o mais absoluto respeito. Em conseqüência, a legitimidade associa-se à autonomia, isto é, a independência, a singularidade que decorre da própria individualidade espiritual.

Como o outro tem legitimidade e autonomia, ele não precisa nem da nossa, nem da autorização de ninguém para manifestar-se (ativa ou passivamente), e, quando o fizer, estará amparado em elementos constantes dos direitos individuais inalienáveis e imprescritíveis. E, na relação conosco, será respeitado e valorizado – se for o caso – justamente por ser diferente.

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